Reforma Ortográfica I
O trema (1)
Recentemente, em Belém, o balcão de uma companhia aérea francesa ostentava o nome "AIR CARAÏBES". Como se sabe que o dígrafo "ai", em francês, tem som próximo ao nosso "é", alguém a meu lado leu "érr carréb", para em seguida corrigir "érr carraíb". Esse pequeno fato demonstra a grande importância do trema para mostrar ao leitor a pronúncia culta ou padrão, segundo a qual, na primeira palavra, o "ai" deve ser pronunciado 'é' e na segunda, "a-i". Que bom que na língua francesa não se esteja pensando em abolir o trema, pois ajuda até os estrangeiros a pronunciar corretamente as suas palavras.
Vamos supor, agora, que se tenha abolido o trema na língua portuguesa e que você, leitor, encontre a seguinte frase, num texto: "O inquilino participou, com a devida equidistância, de um inquérito trilíngue sobre o uso de espécimes equestres equevos em corridas oficiais sem os equipamentos equipartidos e equilibrados."
Não sabendo o significado das palavras, pode ir ao dicionário e ter suas dúvidas esclarecidas, porém como saberá qual a pronúncia correta? " inkilino ou inkuilino, ekidistância ou ekuidistância, inkérito ou inkuérito, trilíngue ou trilíngüe, ekestres ou ekuestres, ekevos ou ekuevos, ekipamentos ou ekuipamentos, ekipartidos ou ekuipartidos, ekilibrados ou ekuilibrados ?"
Mesmo que dicionários orientem a pronúncia, será possível que toda vez que encontrar as sílabas "que, qui, gue, gui", você vai ser obrigado a recorrer a um dicionário para saber a melhor pronúncia segundo a norma padrão?
O que é mais econômico e fácil: consultar-se a pronúncia no dicionário ou já sabê-la imediatamente, pela presença do trema? Lembre-se da AIR CARAÏBES.